Perfis falsos: como se diferem dos perfis humanos no Twitter?

Em um post anterior falamos  sobre o que são perfis falsos ou Bots e para que servem, mas você seria capaz de distinguir o comportamento de um perfil falso (bot),  de um perfil humano, no Twitter?

O surgimento de “Social Bots”, contas automatizadas que imitam os usuários humanos em plataformas de social media, vem aumentando ao longo dos anos. No Twitter, a criação de perfis sejam eles humanos ou não é feita de forma ágil e fácil graças ao fato de sua API (interface de integração entre diferentes softwares e aplicativos) ser aberta, o que favorece sua integração com muitos aplicativos e APIs de terceiros, o que facilita a proliferação dos Bots.

 

O Caso Polônia

O artigo “Computational Propaganda in Poland: False Amplifiers and the Digital Public Sphere” diz que um ótimo case de estudo é o da Polônia, país em que nas últimas eleições atores externos à ela usaram de manipulação da mídia online e também do chamado  “political trolling”, (que seria o ato de usar de emoções, mentiras e falsas acusações, e uma lógica enviesada para vencer o oponente em uma discussão), nas redes sociais para fazer com que determinado candidato fosse eleito, além de os mesmos agentes externos terem pago perfis falsos para disseminar notícias falsas.

De acordo com pesquisas independentes, 51,8% de todo o tráfego da Web é gerado por bots. O Twitter relatou em 2014 que 13,5 milhões de contas (5% da população total de usuário naquela época) eram falsas ou spam. Essas contas falsas podem ser caracterizadas por uma série de fatores, normalmente atreladas ao padrão de comportamento em relação às interações que proporcionam na rede social. O estudo de Cambridge aponta que essas características estão bastante relacionadas a dados do perfil criado, como por exemplo, número de seguidores e frequência de postagem. Características das contas falsas O gráfico abaixo mostra em seu eixo Y, as características relevantes para a identificação dos robôs. No gráfico podemos perceber que perfis com diferentes números de seguidores (eixo X) mostram diferentes relações a essas características, o que corrobora na identificação de contas fraudulentas. Ao observar o grau de correlação existente entre eles e as características mensuradas, é possível a detecção de atividade suspeita. Quanto maior a correlação, maior é a importância daquela métrica para aquele determinado tipo de perfil.

Perfis humanos X Perfis falsos

Um  segundo estudo, realizado pela Universidade de Stanford An in-depth characterisation of Bots and Humans on Twitter, analisou como o comportamento de um perfil falso se difere de um perfil humano. Segundo eles a conta mais antiga de um bot tem 3437 dias versus 3429 dias da mais antiga conta humana, sendo assim bots não são um fenômeno novo. Bots estão envolvidos em 54,59% de todos os fluxos de informação (definidos como a transferência de informações de um usuário para outro usuário). Durante os 30 dias de análise viram que: as contas de humanos postam menos (twittam e retuitam) do que as contas falsas (humanos 192 vezes no mês versos 303 para os bots na média mensal). No geral os bots constituem 51,85% dos status na base de dados, entretanto constituem apenas 43,14% das contas. Verificaram que humanos geram novos tweets com mais frequência, enquanto os perfis falsos costumam retweetar os conteúdos existentes. No geral humanos postam 16 tweets para cada retweet, enquanto os falsos postam 13 tweets para cada retweet. No que se refere a resposta a um tweet principal ou menções, os bots fazem mais isso devido sua capacidade automatizada, necessitam gerar interação direta com sua base de seguidores e assim respondem 2x mais que os humanos.

Ao analisarem o conteúdo real criado pelas contas, viram que  Bots colocam muito mais URLs externos em seus tweets que os humanos, eles são uma força motriz de criação de tráfego para sites de terceiros e de fazer upload de muito conteúdo. Apesar de os números serem mais altos para os perfis falsos, o artigo nos mostra que quantidade não é qualidade, já que perfis humanos recebem muito mais “favoritos” por tweet do que os bots em todos os grupos de popularidade. Para a maioria dos grupos, viram que os seres humanos recebem uma média de 27 ×, 3 × e 2 × mais favoritos por tweet do que bots, respectivamente. Os dois tipos de perfis tem como missão gerar conteúdos, mas como vimos os humanos criam mais conteúdos novos, enquanto os falsos têm o costume de retwittar postagens já existentes. Fiquem ligados aqui e acompanhem a repercussão das eleições no Brasil para presidente pelo Twist players.

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