Três casos em que o monitoramento de dados auxiliou a segurança pública ao redor do mundo

  O ministro Sérgio Moro implementará o programa Big Data e Inteligência Artificial para tornar o trabalho de agentes de segurança mais eficiente

 

A pesquisa “What Worries the World”, publicada no mês de maio pelo Instituto Ipsos, revelou que o crime e a violência são os temas mais sensíveis aos brasileiros, sendo mencionados por 47% dos consultados, de uma amostra composta por mil pessoas. A nível global e a título de comparação, essas preocupações caem para o quarto lugar, com apenas 30% das menções.

O ritmo de crescimento das cidades brasileiras, que traz consigo um aumento nas estatísticas de crimes, cria uma demanda para que ocorrências policiais sejam solucionadas de forma mais inteligente e com maior transparência, minimizando as consequências que seus cidadãos possam ter e os erros humanos comumente cometidos nessas situações.

Em um esforço para atender a esses anseios, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, inaugurou, no dia 20 do último mês, a primeira etapa da implementação do programa Big Data e Inteligência Artificial, iniciando o uso a nível federal no Brasil da Ciência de Dados em ações de órgãos de segurança. A ferramenta visa à utilização da Data Science para contribuir na elaboração de políticas públicas contra a criminalidade, nas palavras do próprio ministro, de maneira mais eficaz.

O programa, cujo investimento será de R$ 32 milhões ao longo dos próximos quatro anos, foi desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Ceará, fazendo com que o estado seja o único contemplado em sua primeira etapa. Até o fim do ano, a expectativa é que o projeto chegue a outros oito, sendo eles Acre, Alagoas, Amapá, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins. Ainda, ele será constantemente melhorado, com novas soluções e recursos sem custos para os estados. 

Sob o mote de que “informação é tudo”, Moro prosseguiu explicando que o programa auxiliará o agente de segurança a acompanhar ocorrências em todo o país, buscando fichas criminais de suspeitos, permitindo o monitoramento de roubos de veículos, do tráfico de drogas em regiões de fronteiras e a prevenção de assaltos e homicídios. Os dados, hospedados na nuvem, serão subsidiados por todos os órgãos da administração pública estadual e federal.

No entanto, essa utilização do Big Data já é mais comum do que normalmente se imagina. Venha ver conosco como ela já se faz presente no Brasil e em outras partes do mundo!

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Detecta: a experiência paulista

Ainda que o Big Data e Inteligência Artificial seja, de fato, a primeira empreitada a nível federal no uso da Ciência de Dados para combate ao crime no Brasil, não é a primeira experiência do país nesse sentido. Desde agosto de 2014, a prefeitura e o estado de São Paulo operam o sistema conhecido como Detecta, que, até o ano de 2017, já estava em vigor em 269 municípios.

Tendo a sua disposição o maior banco de dados policiais de toda a América Latina, ele não se restringe somente às polícias civil e militar, indo além ao cruzar as informações destas com as do Detran e com as cinco mil câmeras que o compõem e radares de trânsito. Seu principal objetivo é detectar veículos em situações irregulares.

As câmeras de Nova York

O Detecta é baseado em um projeto de outra grande metrópole. Em agosto de 2012, o Departamento de Polícia da Cidade de Nova York anunciou, em parceria com a Microsoft, o lançamento do Domain Awareness System. Conectado a 9 mil câmeras espalhadas pela cidade, ele tem acesso a 2 bilhões de placas de veículos, 54 milhões de chamadas de emergência, 12 milhões de investigações em curso, 100 milhões de intimações, dentre outros documentos dos órgãos de segurança e inteligência. Em linhas gerais, seu funcionamento é o rastreamento de alvos policiais, além da prevenção de ações terroristas, tendo em vista atentados recentes, como o carro-bomba na Times Square em 2010.

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A Inglaterra e o policiamento preditivo

A IBM desenvolveu o CRUSH, sigla para Criminal Reduction Utilising Statistical History, um sistema de policiamento preditivo - isto é, que atua fazendo previsões de futuras cenas criminosas - a partir de registros de crimes passados e informações sobre o clima. Por um tempo, esteve em atividade na Inglaterra, além de ter sido implementado em Memphis, onde foi creditado pela redução de 31% no crime comum e 15% no crime violento. Sua versão modificada, o CRASH, destinado a precaver acidentes automobilísticos, passou a funcionar no Tennessee em 2014.

 

Portanto, se bem utilizadas, as tecnologias de análise e monitoramento de dados para a segurança pública encontram seu espaço adequado no mundo real, muito distante dos futuros distópicos outrora imaginados pela ficção científica. Já contamos outras vezes, aqui no blog, como a Ciência de Dados vem mudando algumas indústrias para melhor, a exemplo do que você pode conferir aqui. Caso você ache que possamos aplicar esse campo do conhecimento em seu negócio, converse conosco!

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