Bots: o que são robôs sociais e como eles se comportam nas redes

Descubra o perfil das contas automatizadas que se passaram por humanos durante a greve dos petroleiros

 

Segundo o último Incapsula Bot Traffic Report, um estudo destinado ao levantamento de estatísticas do tráfego de contas automatizadas na internet, divulgado em 2016, apenas 48% da atividade online vem de humanos, enquanto o resto fica a cargo de robôs.

Com a carga negativa que os bots vêm ganhando nos últimos anos, graças às acusações de participação em campanhas de desinformação, esses números podem assustar à primeira vista. Mas eles estão dentro de um território de terminologia confusa, em que uma mesma palavra é utilizada para definir ferramentas bastante distintas entre si.

Se não existe apenas um propósito para o surgimento de uma conta automatizada, o que de fato são os bots  e como eles atuam? Além disso, trouxemos um estudo de caso sobre a operação de perfis automatizados no Twitter durante a última greve dos petroleiros.  Acompanhe conosco:

Como se dividem os bots

Em linhas gerais, um bot é uma automação de software ― ou seja, que funciona sem precisar receber qualquer tipo de instrução ou direcionamento humanos ― programada para a realização de tarefas específicas, normalmente de modo repetitivo. Isso ocorre para que elas sejam realizadas mais rapidamente do que se dependessem de mão de obra não automatizada.

Embora os bots venham apresentando maior crescimento nos últimos cinco anos, os primeiros datam da década de 1990, com a ampliação do acesso à internet. Os chatbots são exemplos de good bots ― isto é, bots bons, aqueles cuja função é ajudar o usuário em sua navegação, bem como melhorar sua experiência ― que datam dessa época e seguem ainda muito difundidos hoje. Eles são scripts treinados para manter conversas humanizadas, por exemplo, em serviços de atendimento ao cliente, como aqueles encontrados em sites e aplicativos de compra e venda ou de bancos.

Outros exemplos de good bots são os crawlers (em tradução livre, rastreadores), que navegam pela web em busca de sites a serem indexados em serviços de busca, além de determinarem a posição das páginas nestas mesmas plataformas. Há, ainda, os bots de assistência virtual, como a Alexa da Amazon e a Siri da Apple, que, basicamente, rastreiam soluções para as necessidades e problemas do usuário pela internet.

Por outro lado, temos os bad bots, ou bots ruins. Enquanto os good bots recebem um nome oficial e têm uma operação transparente, a intenção destes é passar de forma despercebida. Um exemplo notório são os spammers, programados para, como o nome denota, espalhar spam, ou seja, um conteúdo indesejado ou inapropriado, indo desde propagandas incessantes até links com malwares, para o maior número possível de pessoas.

Social bots

É com os social bots, no entanto, que os bad bots ganham maior força hoje. O surgimento deles está associado à ampliação da abertura das APIs (cada mídia social tem sua Interface de Programação de Aplicativos, que permite que desenvolvedores de fora ampliem suas funcionalidades padrão) de redes como o Facebook e, principalmente, o Twitter, onde eles mais se concentram.

Eles são perfis automatizados que, ao assumirem uma identidade falsa, ou ao tomarem o controle de uma conta antiga e inativa,  e agirem como pessoas reais, atuam em mídias sociais com a produção e a disseminação de conteúdo propositalmente falso ou enganoso. São também capazes de simular uma aprovação ou desaprovação inexistentes a certas assuntos, dando capilaridade a eles. Os social bots direcionados ao discurso político e à influência do resultado de determinado pleito já ganharam uma denominação à parte e passaram a ser chamados de political bots.

Um fenômeno comum entre os social e political bots é a formação de botnets ― em tradução literal, redes de robôs ―, o que já era observado, ainda que em menor escala, entre os spammers. Essas redes são formadas por um número massivo de contas criadas para amplificar um mesmo conteúdo. Esses perfis, comumente, têm poucos seguidores e costumam seguir apenas aqueles que fazem parte de uma mesma rede de disseminação.

Por fim, existem os cyborgs, contas marcadas pelo hibridismo entre a atividade automatizada e a coordenação humana, e que podem servir a propósitos diferentes. Os cyborgs podem surgir, por exemplo, graças a um desejo de se postar mais conteúdo de maneira mais depressa, ou à necessidade de se agendar postagens, para que a conta demonstre ter alguma periodicidade contínua.

Identificando social bots

Há vários indícios que podem apontar se um perfil do Twitter é um bot ou não. O primeiro é o anonimato: apesar de muitos se apropriarem de contas que um dia apresentaram alguma atividade e podem ter informações pessoais do dono anterior, uma boa parte não possui nenhuma informação pessoal além de um primeiro nome ou sobrenome inventados. Também costumam ter uma combinação aleatória de letras e números no lugar do identificador do usuário.

É muito comum que esses perfis sequer tenham uma foto, utilizando o ícone padrão do Twitter para contas recém-criadas. Quando têm alguma, elas podem ser rastreadas, muitas das vezes, através de bancos de imagens gratuitas.

Outro sinal está em como se dá a atividade do perfil. Alguns pesquisadores argumentam que aqueles que publicam mais de 70 tweets diariamente já são, em algum nível, suspeitos. Ainda, muitos bots postam uma quantidade irreal de tweets com intervalo muito curtos, sem que haja tempo hábil para tanto.

Há também aqueles bots que não publicam pouco ou nenhum conteúdo autoral, com a frequente exceção de respostas a outros usuários Eles estão ali única e exclusivamente para amplificar outras contas ou veículos específicos e podem ser facilmente identificados pelo grande número de retweets e curtidas, bem como a frequência com que estes ocorrem.

A atuação de social bots na discussão da greve dos petroleiros

Com base na identificação das características mencionadas que diferenciam contas automatizadas de perfis reais, a Twist tem desenvolvido algoritmos de machine learning para a detecção automática de bots do Twitter. Analisando 44.235 perfis monitorados ao longo do período da última greve dos petroleiros, com a maior da adesão da categoria desde 1995, que aconteceu entre os dias 1 e 21 de fevereiro deste ano, constatamos que 7.692 destes, ou 17.39%, eram automatizados.

Por outro lado, o número de perfis automatizados não acompanhou a presença que eles tiveram de fato  no debate. Dos 151.580 tweets coletados os bots ficaram responsáveis por 53.997 deles35.6% do todo ―, evidenciando o poder de amplificação dessas contas. Enquantos muitos humanos postam não mais do que só uma vez sobre determinado assunto, é improvável que bots tenham o mesmo comportamento.

Ao se analisar as nuvens abaixo, onde os termos mais utilizados por humanos estão em azul e os mais utilizados pelos bots, em vermelho, as semelhanças de discurso chamam mais a atenção do que as diferenças. “Petrobras”, “@FUP_ Brasil”, a Frente Única dos Petroleiros, e as hashtags “#PetroleirosPeloBrasil” e “#PetroleirosPelaSoberania”, favoráveis ao movimento dos grevistas, foram centrais em ambas as amostragens.

Um exemplo de perfil encontrado na nossa análise que reúne diversas características de um bot é o @tavares1958, mostrado abaixo. Sem nenhuma descrição da conta, foto de perfil ou de capa, localização ou qualquer outra informação que não o nome Tavares, ele está sob completo anonimato. A maioria dos seus 123.1 mil tweets é formada por retweets e pelo compartilhamento de links de terceiros, enquanto todas suas postagens autorais são respostas e comentários a outros usuários.

 

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