‘Novo Normal’: o que esperar do pós-pandemia?

Entenda quais são as tendências e comportamentos esperados após o isolamento social

 

Desde o dia 11 de março, com o anúncio da Organização Mundial da Saúde da pandemia do novo coronavírus, até ⅓ da população mundial já chegou a se resguardar dentro de casa a fim de achatar a curva de contágio da doença. Neste momento de isolamento social, permanece uma dúvida generalizada: o que esperar no longo prazo?

É muito difícil passar por uma crise sanitária dessa magnitude sem qualquer tipo de mudança de rotina, mesmo após o controle da doença. Quando ela estiver parcialmente combatida — a própria OMS indica que ela se tornará endêmica, ou seja, não irá desaparecer por completo —, as relações trabalhistas serão outras, assim como hábitos de higiene e comportamentos em espaços públicos que possam levar a aglomerações.

O que esperar, então, do mundo pós-pandemia e quais são algumas das principais tendências de mercado que os dados revelam sobre este momento? Confira conosco!

O 'Novo Normal'

Apesar de estar sendo utilizada a todo momento, a expressão ‘novo normal’ não surgiu com a Covid-19. Após a crise financeira de 2008, ela começou a ser ventilada para descrever um novo cenário para as então economias emergentes, que passariam a apresentar um crescimento aquém do que vinha sendo visto. Dentro das consequências do ‘novo normal’, ali, havia a perda do poder de compra por parte da população e a migração de parcela da mão de obra disponível para a informalidade.

Foto: Associated Press

Hoje, falamos do ‘novo normal’ para nos referirmos à mudança de hábitos que passará a ser praticada mundialmente durante e após o controle da pandemia do novo coronavírus. Com o mundo tendo se resignado ao lar ao longo dos últimos meses, velhas práticas comuns tiveram de ser readequdas. Assim, muitos passaram a trabalhar e a estudar de casa, bem como ficaram mais dependentes de serviços de entrega. Aglomerações e reuniões em espaços fechados, como shoppings, bares e restaurantes, passaram a ser desaconselhadas, quando não proibidas.

Enquanto esse redesenho de rotina foi feito abruptamente, o ‘novo normal’ não chegará da mesma forma. Pelo contrário, ele é um processo gradual, possivelmente transitório e que compreende idas e voltas. É impraticável que haja uma retomada total das atividades de uma hora para outra e é isso que tem se vivido em países como a Coreia do Sul, que, temendo uma segundo onda de contaminação pelo vírus, ordenou o fechamento de escolas de educação infantil, depois de tê-las reaberto inicialmente.

Quando o mesmo estágio de normalidade que vinha sendo experimentado até o início deste ano vai ser retomado ainda é alvo de intensos debates, mas as previsões indicam que isso só ocorrerá quando houver uma vacina que consiga conter minimamente os altos índices de contágio da doença. Enquanto durar o clima de insegurança e incerteza que foi trazido pelo isolamento social, aglomerações e saídas constantes de casa seguirão sendo evitadas.

Mais pessoas trabalhando de casa

Logo no início da pandemia, diversos estados brasileiros anunciaram que só trabalhadores de serviços considerados essenciais poderiam continuar saindo de casa para trabalhar, enquanto o resto teria de fazê-lo remotamente. No país, mesmo antes deste ano, o número de trabalhadores no regime de home office já vinha crescendo significativamente. De acordo com o IBGE, só entre 2017 e 2018 a prática teve um crescimento de 21% — ainda que, segundo o mesmo instituto, sua adoção integral seja dificultada pela informalidade, que alcança 41% dos trabalhadores brasileiros na ativa.

O Twitter saiu à frente e anunciou que, mesmo quando os efeitos da pandemia não forem mais sentidos, seus funcionários poderão trabalhar de casa pelo tempo que quiserem. Por aqui, o mesmo movimento foi reproduzido pela XP Investimentos, que, não só anunciou que permitirá o mesmo, como ainda relatou um aumento dos índices de satisfação de ambos funcionários e clientes durante o período de isolamento.

Dadas a circunstâncias, era de se esperar que as redes nunca tivessem falado tanto sobre trabalhar de casa. Só na comunidade brasileira do Twitter, foram mais de 120 mil tweets entre o dia 7 de maio e o dia 17 de junho que citavam o termo “home office”, enquanto que, no mesmo período do último ano, foram apenas 7 mil. No Google, as buscas por itens de escritório, como escrivaninhas e cadeiras, mais do que dobraram em relação ao último ano, revelando um certo desejo de buscar maior conforto para a realização de atividades à distância.

Priorização do e-commerce e do delivery

A venda de produtos de escritório não é a única que tem tido seus dias de glória com o e-commerce. Com o fechamento temporário do comércio de rua e shoppings, o varejo tradicional foi um dos setores mais abalados pela pandemia. Segundo a Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo, a CNC, o setor perdeu mais de R$124 bilhões só entre março e maio deste ano. Por outro lado, o volume de compras online cresceu 98% no mês de abril, com 24,5 milhões de solicitações.

Na comodidade de casa, também disparou, ao mesmo tempo, a demanda por serviços de entrega. Uma pesquisa realizada pelo portal Mobile Time mostrou que o percentual de brasileiros que já pediu uma refeição por meio de um aplicativo para celular saltou de 58% para 72%. O Google retrata bem este momento, com os índices de pesquisas sobre serviços de entrega de comida e bebida tendo atingido seu maior nível em comparação ao último ano.

Turismo incerto

Enquanto o número de voos disponíveis se encontra reduzido a níveis baixos desde o início da pandemia, além da crise enfrentada no setor de aviação — uma projeção da Associação Internacional de Transportes Aéreos indica que ele pode perder até 40% do faturamento em 2020 —, empresas de turismo já têm oferecido diversos pacotes promocionais para os próximos dois anos.

Isso não garante, por si, que essas viagens venham a acontecer. Não são poucos os países ao redor do mundo que fecharam suas fronteiras aéreas para estrangeiros e não mostram sinais de que vão reabri-las tão cedo, a despeito do controle interno da doença, por temerem uma outra onda de contágio vinda do exterior.

Outros dados do Google mostram um brasileiro também sem pressa de voltar a pensar nesse assunto tão cedo. Enquanto nos aproximamos dos meses de julho e agosto, quando, de costume, seriam as férias de meio de ano e a alta temporada do turismo, as buscas online por viagens seguem no menor patamar em um ano desde março, logo após terem atingido o pico em janeiro.

Pelo seu impacto econômico crítico — algo que não foi tão sentido durante o surto do vírus H1N1, por exemplo —, a pandemia da Covid-19, mais do que ensinar a como se portar diante da sociedade, vai impor novas regras e padrões de consumo. Dessa forma, terão vantagem as empresas que conseguirem se digitalizar e se adaptar para atender às demandas emergentes de seus antigos clientes.

 

Para o acompanhamento de tendências, a Twist dispõe de ferramentas que permitem o monitoramento de diferentes dados públicos, incluindo redes sociais. Se você achar que eles são adequados para sua empresa, fale conosco! Além disso, continue acompanhando nosso blog e assine nossa newsletter para mais conteúdos como esse.

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