A importância estratégica de dados climáticos

Saiba como o acesso a informações climáticas auxilia na tomada de decisões inteligentes e sustentáveis

Através do curso da história, padrões climáticos influenciaram de maneira significativa o crescimento do comércio e os costumes das pessoas de maneira geral. Mas em um mundo sofrendo com mudanças climáticas, as informações que nos ajudaram no passado talvez já não correspondam mais à realidade. É o que afirma artigo da World Meteorological Organization, observatório internacional de dados sobre o clima. De governos locais a empresas de diferentes setores, todos os níveis de tomada de decisão estão sendo afetados por dificuldades relacionadas à imprevisibilidade climática. 

Apesar de ser possível acessar dados climáticos, eles geralmente são difíceis de se encontrar, entender e, principalmente, aplicar a uma estratégia. Tanto o setor público quanto o setor privado demandam acessibilidade, credibilidade e relevância no momento de decidirem que atitudes tomar para se adaptarem melhor aos extremos que muitos cientistas têm previsto. 

É pensando nessa necessidade que os investimentos na geração de dados para esse fim têm sido tão representativos. Cientistas de todo o mundo se unem em iniciativas como o Good Data, do qual já falamos anteriormente, contribuindo com dados que podem aperfeiçoar modelos de simulação climática para o futuro. O objetivo é produzir informação de valor para que organizações se planejem de maneira efetiva e realista.

Nesse texto, vamos falar sobre as principais necessidades climáticas tanto do setor público quanto do setor privado e por que é importante considerar a utilização desses dados como ferramenta de inteligência dentro do seu negócio. Acompanhe:

As necessidades dos setores público e privado

A realidade é que o espectro para o qual dados climáticos podem se mostrar necessários é muito amplo. Ele vai desde criar projetos de arquitetura para casas e prédios até estruturar corporações e definir que modelos de financiamento utilizar, por exemplo. No setor público, essas informações se mostram essenciais na hora de gerenciar finanças e bens públicos, como estruturas de mobilidade e deslocamento, estratégias de geração de energia, prédios, hospitais e outros setores de assistência. Já no setor privado, a tomada de decisões guiada por dados pode facilitar o entendimento e até a prever as necessidades da população e dos seus funcionários nos cenários futuros. 

A indústria de seguros é uma que já vem utilizando e aplicando dados climáticos em suas decisões, mas empresas de todos os setores precisam se preparar para alterações climáticas e podem se beneficiar de serviços que as ajudem a se adaptarem às mudanças que se aproximam.

De maneira geral, as organizações que já utilizam essa estratégia decidem cobrir dados de suas áreas de atuação, uma estratégia que torna mais fácil entender e incorporar esse recurso em uma tomada de decisão inteligente. Há uma disparidade, porém, entre o ideal e o que a realidade costuma oferecer: nesse caso, dados que não acompanham a atualidade e que custam caro, portanto inacessíveis para empresas menores.

Desenvolvedores de modelos preditivos também se deparam com desafios, como dificuldades para escolher a melhor metodologia ou não encontrarem o conhecimento correto para aplicá-las. Por isso, a incerteza tem feito com que muitos não levem esses dados em consideração, seguindo por caminhos dos quais se arrependem rapidamente. Continue lendo para entender como enxergar esses dados de maneira diferente e realmente utilizá-los como inteligência para o seu negócio.

O ecossistema dos dados climáticos

Alguns dos principais representantes da produção de dados climáticos são centros meteorológicos nacionais e instituições de pesquisa, que divulgam dados úteis tanto para o setor público quanto para o setor privado. Um trabalho importante realizado por essas iniciativas é também o de criar modelos preditivos. Vale lembrar que esse tipo de informação não é definitiva, mas sim uma leitura da probabilidade de certos eventos acontecerem, baseada em padrões identificados anteriormente. 

Muitos desses modelos são gratuitos e abertos para o uso, mas demandam habilidades significativas de computação para se extrair resultados relevantes deste universo informacional. Um exemplo de iniciativa que tenta dar mais acessibilidade a esses dados é o Coupled Model Intercomparison Project (CMIP), que cria modelos abertos para que qualquer cientista de dados possa investigar. Só no seu último projeto, foram mais de 20 modelos, cada um com suas forças e particularidades. É importante entender que o melhor modelo para seu negócio vai depender de suas necessidades. Definir qual será o protocolo utilizado deve fazer parte do processo de se extrair conhecimento desses dados. 

E para o usuário final? 

No entanto, nem todos os tomadores de decisão terão conhecimento em Ciência de Dados. Como garantir que ainda assim eles consigam aproveitar a informação climática nos seus planejamentos para o futuro? Iniciativas de empresas e organizações que trabalham com Big Data têm se mostrado chave na hora de divulgar relatórios, pesquisas e serviços que interajam com usuários locais e globais. A intenção é transformar os provedores de serviços em usuários que consigam desenvolver produtos mais úteis e adaptáveis a partir da informação climática.

A Twist, por exemplo, gera continuamente estudos como o Amazonia.Watch, que teve o objetivo de divulgar informações e dados relevantes sobre a repercussão do desmatamento da floresta amazônica no Brasil. Já a WMO criou o Global Framework for Climate Services (GFCS), interface que disponibiliza informação global sobre dados climáticos. 

Algumas iniciativas governamentais também podem ser destacadas como grandes divulgadoras científicas do clima. Nesse grupo, encontramos a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência federal estadunidense responsável pela disseminação de informações climáticas. Ela trabalha junto a centros regionais para a organização dos dados e também possibilita que eles cheguem de maneira mais acessível ao usuário final. Ela é responsável, inclusive, por um portal de estudos de dados climáticos, focado em aumentar o acesso e a usabilidade desse conhecimento.

Como aplicar no seu negócio

Ainda que haja a possibilidade de se investigar dados climáticos de maneira personalizada, já pensando nas necessidades de sua empresa, existem iniciativas que podem nortear e facilitar a caminhada desse percurso. Segundo o Environmental Commisioner of Ontario (ECO), algumas das soluções possíveis são:

  • Valorização de modelos locais: usuários poderiam se beneficiar bastante de conjuntos de dados e predições locais para a aplicação de diferentes modelos e técnicas de análise de dados. Mesmo que seja difícil definir modelos únicos a serem utilizados em toda uma região ou país, estabelecer padrões nesse sentido pode facilitar a vida de organizações que precisem tomar decisões conjuntas em prol da sociedade;
  • Divulgação científica: para as organizações que estão criando seus próprios serviços de análise preditiva ou auxiliando outras a se adaptarem aos dados, seria interessante que departamentos científicos pudessem cooperar com esses avanços. Os formatos podem ser vários, como websites, estudos, workshops e treinamentos. Garantir esse conhecimento também é garantir lideranças mais conscientes e responsáveis, ou seja: divulgá-lo seria benéfico de maneira geral;
  • Comunicação: muitas das informações disponíveis hoje em dia estão em linguagem científica, cruas e não-processadas, o que não facilita em nada para o usuário. Essa linguagem deve ser traduzida em termos e visualizações que podem ser compreendidos e aplicados, ainda que sejam complexos. Alguns serviços utilizam até mesmo dados históricos para narrar e ilustrar alterações climáticas. É uma estratégia interessante inclusive para engajar usuários, que terão acesso a novos conhecimentos e possibilidades na hora de pensar o futuro;
  • Agrupamento de recursos: apesar de ser possível utilizar dados e modelos climáticos de maneira individual, isso pode se tornar muito custoso para a maioria dos usuários. Dessa forma, as colaborações, podem ser chaves importantes na hora de obter e processar dados regionais. De organizações sem fins lucrativos a empresas e governos, os recursos podem ser reunidos a fim de divulgar e facilitar a chegada de dados climáticos relevantes. 

O papel das organizações

A gestão pública tem a responsabilidade de garantir que comunidades serão resilientes às variações climáticas e que todos os setores terão acesso à informação que precisarem para se adaptar, desempenhando um papel de suma importância nessa transição. O setor privado, por outro lado, tem capacidades únicas de gerar inovação e abordagens criativas para o gerenciamento de dados climáticos.

Além disso, startups têm sido cada vez mais reconhecidas por conseguirem criar plataformas interativas e de fácil leitura para o usuário, que conseguem atingir grandes públicos e que realmente cumprem um importante papel na tomada de decisões. Muitas empresas, inclusive, têm aproveitado esses novos modelos de transformação digital para se adaptarem também às demandas ambientais e sociais dos seus consumidores, transformando seu posicionamento e criando relações mais duradouras e conscientes com o seu público. 


De certa forma, é impossível negar que grandes eventos climáticos e decisivos têm se tornado parte do cotidiano de muitas organizações, que acabam seguindo direções equivocadas por não se atualizarem com dados em dia com a realidade.

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