O impacto da pandemia nas mídias sociais

Descubra como o isolamento social remodelou os hábitos digitais no Brasil e no mundo

 

Aqui no blog da Twist, já falamos algumas vezes sobre o perfil demográfico dos usuários das principais mídias sociais. A última vez em que fizemos isso foi ainda no começo deste ano, quando trouxemos os dados de utilização de sites e aplicativos como o Twitter, o Facebook e o WhatsApp referentes a 2019. No entanto, o fator que iria modelar toda a utilização da internet ao longo do ano de 2020 ainda estava de fora: a pandemia da Covid-19.

Embora, ao redor do mundo, já estejamos vivendo um momento de reabertura e de permissão do funcionamento de muitas atividades que ficaram restritas no decorrer dos últimos meses, isso segue longe de atingir a toda a população. Uma parcela significativa ainda trabalha ou estuda de casa, fazendo com que a adesão a plataformas digitais siga em níveis bem diferentes do que os de costume.

As informações são da HootSuite, uma plataforma de gerenciamento de mídias sociais, célebre por cobrir suas informações de uso, e que, dadas todas as adversidades experimentadas ao longo deste ano até aqui, decidiu comparar os dois primeiros semestres de 2019 e 2020. Quais diferenças marcaram os dois períodos? Acompanhe:

Como o mundo passou a utilizar a internet?

Em relação ao mesmo período de 2019, o primeiro semestre deste ano mostrou um crescimento de 8.2% no número de usuários conectados à internet, chegando a 4.57 bilhões de pessoas conectados. Os perfis em redes sociais cresceram ainda mais, com uma taxa de 10.5%, totalizando 376 milhões usuários novos. Nenhum dos dois índices seguiu o do crescimento populacional mundial, fixado em apenas 1.1%.

O Ericsson Mobility Report, relatório trimestral sobre o estado da telefonia móvel no mundo, mostrou em abril um movimento muito claro: 83% dos respondentes, espalhados em onze dos países mais afetados pela pandemia, como o Brasil, os Estados Unidos e a Itália, disseram que a utilização ajudava a lidar, diretamente, com as políticas de isolamento e distanciamento social.

Os outros motivos, porém, também tinham relação indireta com a crise sanitária. 76% disseram que a tecnologia ajudava com a educação dos filhos, enquanto 74% afirmaram que ela ajudava a manter contato ativo com membros da família e amigos pessoais, duas atividades limitadas pelos impactos da Covid-19.

Mesmo com a permissão de funcionamento de mercados, farmácias e outros serviços essenciais vista ao redor do mundo, muitos limitaram seu funcionamento ao digital. 45% dos entrevistados responderam que computadores e smartphones passaram a auxiliar nas compras do lar e 41% disseram que eles ainda facilitaram o acesso a médicos e serviços de saúde. Por fim, 40% também utilizavam a internet para ajudar na realização de exercícios físicos.

Outra pesquisa, dessa vez realizada pelo Globalwebindex com usuários da internet com idade entre 16 e 64 anos, mostrou que 81% deles buscaram por algum produto ou serviço online, enquanto 74% de fato comprou algo, colocando em evidência o atual momento vivido pelo e-commerce. Algumas projeções mostram que o setor pode ter um crescimento de 19% apenas no ano de 2020, em uma tendência que deve continuar sendo observada ao longo dos próximos anos.

O impacto nas mídias sociais

Ao todo, houve um crescimento percentual de 10.5% no número total de usuários de redes sociais, somando 3.96 bilhões — em torno de 51% de toda a população mundial. Outro estudo realizado pelo Globalwebindex com participantes de 18 países mostrou que a utilização de sites de redes sociais cresceu em torno de 43% no primeiro semestre de 2020.

Os sites e aplicativos mais utilizados continuam sendo o Facebook, com 2.6 bilhões de perfis cadastrados, o YouTube, com 2 bilhões de usuários ativos e o WhatsApp, também com 2 bilhões de usuários. O maior crescimento foi observado no Instagram, com 11%, enquanto o Twitter foi responsável pela maior queda no número de usuários, com 16%.

Um velho novo ingrediente muito em alta ao longo de todo o isolamento social tem sido a videoconferência. Seja para trabalho e estudos ou apenas para manter o contato em dia com entes queridos, é difícil encontrar alguma pessoa que não tenha utilizado alguma ferramenta durante esse período. A campeã é o Zoom, com uma estimativa de 300 milhões de ligações diárias, seguido pelo Google Meet, com 100 milhões, e pelo Microsoft Teams, com 75 milhões.

E o Brasil?

Em termos relativos, o número de perfis conectados a redes sociais no país já atingiu a cifra de 66% da nossa população. Além disso, entre os usuários que têm entre 16 e 64 anos, o Brasil é terceiro país com maior tempo médio de utilização diária de sites e aplicativos de redes sociais. Com 3h38, ficamos atrás apenas das Filipinas e da Nigéria, e muito acima da média mundial de 2h22. Graças à Covid-19, 54% dos usuários brasileiros relataram estar passando mais tempo em mídias sociais, com a maior parte destes tendo entre 16 e 24 anos.

Os tempos de quarentena também viram a exploração intensa de outro velho recurso das redes sociais: as transmissões ao vivo — ou, para simplificar, as ditas lives. Artistas e influenciadores digitais de todo o mundo investiram pesado no recurso, principalmente graças à paralisação da indústria do entretenimento como um todo. Os brasileiros, porém, parecem ser quem melhor o aproveitaram: em junho, das dez transmissões com maior número de espectadores simultâneos no YouTube, oito eram de artistas nacionais.

O papel da desinformação

A desinformação, debate levantado em outras ocasiões por aqui, desempenhou um papel proeminente nas redes sociais ao longo da pandemia. Crises sanitárias e epidêmicas constituem alguns dos cenários  mais favoráveis para a proliferação de notícias, boatos, meias-verdades e teorias da conspiração no ambiente online. Rudy Reichstadt, diretor da Conspiracy Watch, observatório francês direcionado ao estudo de teorias da conspiração, declarou que as fortes emoções provenientes da crise ampliam a magnitude real de notícias falsas e de conteúdos conspiratórios.

A pandemia do novo coronavírus foi ideal, portanto, para a proliferação de conteúdos falsos e duvidosos nas redes sociais. Supostas curas, estatísticas inventadas e questionamentos anticientíficos surgiram a todo momento nos últimos meses e, para muitos usuários, tornou-se impossível distinguir o real do falso.

Hoje, a internet é o principal meio para consumo de notícias e informações, com sua utilização para esses fins já tendo ultrapassado em muito a de ferramentas tradicionais, como a mídia impressa, televisionada ou radiofônica. Aproximadamente 88% dos usuários de internet brasileiros declaram utilizar mídias digitais com esse fim, um número ligeiramente acima da média mundial de 82%.

Por outro lado, somos o país com o maior número de preocupados com a viralização da desinformação online: 84% dos usuários online brasileiros demonstram algum tipo de receio neste sentido, com a média mundial fixada em 56%. Ainda assim, também somos o segundo país que mais confia em notícias que circulam pelo ambiente virtual, atrás apenas da Turquia, com um índice de confiança de 38%. Vale lembrar que, enquanto uma pesquisa do Reuters Institute, realizada com usuários de mais de 40 países, mostrou que apenas 20% dos usuários de redes sociais no mundo utilizam o WhatsApp como fonte primária de informação na internet, no Brasil o número pode chegar a 79%, segundo a EBC.


Estar apenas presente nas redes sociais não é mais o suficiente. É preciso entender seus diferentes públicos e as circunstâncias que os levam a aderir a essas plataformas para criar estratégias de comunicação efetivas capazes de engajá-los. Empresas, independente de seu porte, devem também se atentar à forte presença da desinformação de marca. Após escândalos de reputação fabricados, consumidores perdem a confiança e deixam de ser leais às suas empresas de escolha.

Aqui na Twist, temos as melhores soluções de monitoramento de redes sociais para sua marca. Para conhecê-las melhor, fale conosco! Para mais conteúdos como este, continue acompanhando nosso blog, nossos perfis no Facebook e no LinkedIn e se inscreva para receber nossas newsletters.

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